Acessibilidade e inclusão no cotidiano da cidade

Compartilhe este texto:

O discurso social hoje já tem um viés voltado para a diferença no sentido de repensá-la e não mais ignorar ou mascarar o preconceito enfrentado por pessoas que têm uma deficiência ou um comportamento “incomum”. Em um mundo feito por e para pessoas “normais”, esse novo olhar é muito bem vindo e não podemos deixar que seja ofuscado pelo conservadorismo anunciado.

Portanto, sensibilizar os candidatos para os direitos conquistados e para as limitações cotidianas que as pessoas com deficiência enfrentam, reivindicando políticas públicas que priorizem a inclusão, é um compromisso. Políticas que devem ser impulsionadas de forma coletiva pela administração municipal, em sintonia com a comunidade e o empresariado local.

Estamos na XXII Semana Estadual das Pessoas com Deficiência do RS. Há uma programação intensa sobre o assunto até o final de agosto. No dia 22, participei como debatedora do V Seminário de Inclusão e Acessibilidade do Tribunal de Justiça do Estado, onde questões importantes foram levantadas. O tema está no centro das atenções, proporcionando boas e inspiradoras conversas coletivas em nome dos direitos humanos e da não-discriminação.

Quando falo em acessibilidade, falo no bem viver de todas as pessoas que moram na cidade, inspirada no que diz a arquiteta Flavia Boni Licht. Para ela, acessibilidade é “pensar, edificar e adequar espaços e equipamentos para a diversidade humana”. Em algum momento da vida, uma parcela significativa da população tem sua mobilidade reduzida: idosos, gestantes, crianças, mães que carregam bebês no colo e/ou carrinhos, pessoas em processo de reabilitação, vítimas leves de acidentes de trânsito e/ou de trabalho.

"Calçada com obstáculo", por Zé Walter de Castro Alves
“Calçada com obstáculo”, por Zé Walter de Castro Alves

Por uma cidade efetivamente democrática                                                                       A jornalista e consultora em audiodescrição Mariana Baiarle, que tem baixa visão, escreveu no blog http://tresgotinhas.com.br/ – Além do Olhar: “O olho às vezes me atrapalha. A visão embaraçada muitas vezes me trai. Minha retina desvairada me leva a tropeços constantes em ruas e calçadas esburacadas. Mas a rotina de tombos e tropicões me ensina também a levantar, a re-levantar e encarar a vida de diferentes maneiras”. De forma poética, ela deixa claro que o espaço urbano precisa de intervenções que facilitem a vida de todos.

Como a campanha para a eleição municipal já começou, pergunto: Que projetos de revitalização do espaço urbano, voltados para a acessibilidade, para a criação de ambientes acolhedores, livres de barreiras físicas, têm os candidatos?

*Temos as calçadas irregulares e quebradas, sem rebaixos do meio-fio, sem piso tátil, um problema real para a autonomia de pessoas cegas ou com baixa visão, pessoas que andam de cadeira de rodas ou com bengalas, idosos com alguma dificuldade de locomoção.

*Os carros que param ocupando as calçadas, sem deixar espaço para o pedestre passar.

"Calçada vira estacionamento", por Zé Walter de Castro Alves
“Calçada vira estacionamento”, por Zé Walter de Castro Alves
"Por onde andar...", por Zé Walter de Castro Alves
“Por onde andar…”, por Zé Walter de Castro Alves

*As obras de todo tipo e qualidade que invadem as calçadas e representam um risco para o pedestre.
*Sinaleiras que necessitam de revisão dos tempos para a travessia de pedestres. Afinal, não são apenas para os veículos, mas para quem anda na cidade.

*Linhas de ônibus urbanos sem áudio interno que oriente os usuários sobre as paradas e sem um sistema adequado para acolher cadeiras de rodas.

*Paradas de ônibus que também necessitam de um sistema de áudio, avisando a linha que está chegando.

*Balcões muito altos – de bancos, repartições públicas, hospitais – e caixas eletrônicos de um modo geral dificultam a autonomia de anões e cadeirantes.

E as leis? E a fiscalização? E a ética?

“A eliminação das barreiras físicas da estrutura da cidade, de todo o mobiliário urbano, das edificações, dos meios de transporte e de comunicação enriquece e amplia a qualidade de vida dos moradores e visitantes, possibilitando, além disso, a inclusão das pessoas com deficiência no cotidiano do município. Isso significa uma cidade efetivamente democrática” – Flavia Boni Licht.

Autor: Lelei Teixeira

Sou jornalista e já atuei em diversas empresas de comunicação de Porto Alegre, como Zero Hora, TV Guaíba, rádio e TV Pampa, Correio do Povo e TVE. Fui sócia da Pauta Assessoria, por 20 anos, onde trabalhei com divulgação, produção, redação e coordenei a assessoria de imprensa de várias edições do Festival de Cinema de Gramado e da Feira do Livro de Porto Alegre. Atualmente, integro a equipe da Gira Produção e Conteúdo, que reúne profissionais para criação, produção, revisão e finalização de artigos, ensaios e livros, além de assessoria e planejamento de comunicação.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *