Diferença, educação inclusiva, segurança e o fazer político – Busco respostas!

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Primeiro foi o livro do norte-americano Andrew Solomon, “Longe da Árvore – pais, filhos e a busca da identidade” (Cia das Letras, 2012). Depois, “O que é que ele tem”, de Olivia Byington (Objetiva, 2016). Ambos chegaram às minhas mãos pelas mãos do amigo Alfredo Fedrizzi.

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o que é que ele tem

 

 

 

 

 

 

 

 

Li o intenso, instigante, corajoso e comovente relato de Olivia sobre sua vida com o filho João, que nasceu com a rara Síndrome de Apert, completamente entregue e emocionada. Em um dado momento, ela comenta o livro de Solomon, que fala sobre dez tipos de diversidade, traçando um mosaico incrível sobre a experiência de criar filhos não enquadrados ao que chamam de “normalidade”. Estou lendo aos poucos e já chorei muito no capítulo em que ele trata do nanismo.

Para Olivia, o livro de Solomon, com mais de mil páginas, é um tratado sobre as diferenças. “Ensina sobre a própria vida, sobre como lidar com a diversidade humana, como fazer parte desse universo rico, com tantas histórias semelhantes e plenas de amor”. Ela assinala uma constatação muito verdadeira do autor: “Pessoas longe da árvore devem criar grupos de identificação a partir de suas próprias necessidades”. Assim, reconhecem suas semelhanças, compartilham experiências e afirmam suas identidades, muitas vezes tão distintas e tão distantes do que está ao seu redor.

É tão bom quando a gente encontra eco na fala do outro, se identifica, se sente fazendo parte de uma tribo e, mesmo longe, reconhece sentimentos comuns, como amor, sofrimento, dores e delícias que a vida, sob o signo da diversidade, pode tirar, provocando solidão e desamparo.

A identidade necessária na diversidade, foto de arquivo pessoal
A identidade necessária na diversidade, foto de arquivo pessoal

O que ecoa na nossa aldeia?
É o que gostaríamos sempre de sentir e ouvir na aldeia que habitamos. Um eco repercutindo positivamente, sinalizando mudanças, transformando pessoas e o modo de fazer política.

Hoje vivemos sob o signo do medo, da incerteza e do espanto em relação ao futuro da cidade, do estado e do país. A vulnerabilidade das nossas vidas gera insegurança e amedronta o nosso ir e vir cotidianos.

O que os candidatos que estão por aí fazendo campanhas, às vezes óbvias, com discursos ultrapassados e cheios de clichês, têm a dizer concretamente sobre educação inclusiva, que acolha todas as diferenças, físicas, mentais, intelectuais, comportamentais e sociais? Que acolha crianças e jovens abandonados e contribua para diminuir a marginalidade, o preconceito e a criminalidade? Como os poderes estão conversando sobre esse momento delicado que enfrentamos?

Temos um Executivo, um Judiciário e um Legislativo. Temos instituições, empresas, associações de bairros, comunidades organizadas e comunidades inteiras à deriva, enclausuradas, ameaçadas e abandonadas. Enquanto isso, os podres poderes se agigantam, banalizando vida e ferindo, inexoravelmente, a ética e a confiança de cada um de nós.

Somos todos responsáveis, sim! Mas quem governa, legisla e decide é muito mais responsável. Foram eleitos e têm o dever de cumprir suas promessas, respeitar a constituição e estimular a população para ações do bem. É fundamental que deixem de lado os egos inflados, as constantes picuinhas político-partidárias e a mesquinharia que domina o poder.

O fazer político
O que sempre me inquietou, e hoje me inquieta ainda mais, é a dificuldade que os políticos de plantão e os postulantes a qualquer cargo, de vereador a presidente, têm de conversar e agir em nome de uma causa maior, que envolve a vida e os direitos dos cidadãos.

Quem está no poder, pelo partido X, e perde as eleições para o partido Y, transforma-se em vilão, enquanto o vencedor assume com sua vara mágica de solução para qualquer problema. Um e outro só conseguem chegar aos gestos e encontros protocolares da passagem do cetro. O resto são farpas! Estabelecem uma relação de mão única, primária, subestimando eleitores, o que é inadmissível em um século tecnológico, de comunicação avassaladora, onde tudo se vê e tudo se sabe.

Aquele que assume, com o bolso cheio de soluções, lá pelas tantas não dá conta do que prometeu em campanha, mas não se responsabiliza. A culpa é sempre do outro. E a ladainha segue até o final do mandato. A cena se repete de quatro em quatro anos, de partido para partido, de candidato para candidato e, assim, indefinidamente. Mas quase ninguém abre mão da possibilidade de se candidatar novamente ou dos cargos já conquistados. Por quê? Apesar dos discursos queixosos, que apontam para o caos deixado pelo outro, ainda querem o poder. Alguma vantagem certamente todos têm!

É impossível que uns só acertem e outros só errem e que um governo, por mais equivocado e ruim, não contabilize nenhum acerto. Por que não reconhecer os méritos? Por que não dar continuidade às ações que tiveram bons resultados na administração anterior? Por que não somar? Por que essa voracidade em destruir o outro e o que ele fez? Por que só governar com e para os seus? Por que não uma coalizão ética?
Por que ninguém tem coragem de mudar e fazer diferente? Por que a maioria que se candidata não sabe exatamente o que está fazendo? Por que não temos mais líderes que surgem naturalmente, da militância estudantil, social e política? Por que inventar candidatos, buscando comunicadores populares que dominam os microfones, mas nada entendem da questão social? O que realmente mobiliza partidos, candidatos, eleitores e políticos?

Não tenho respostas. Estou buscando, lamentavelmente com uma certeza: são bem poucos os que têm ideais e pensam no bem comum ao assumir uma candidatura.

Autor: Lelei Teixeira

Sou jornalista e já atuei em diversas empresas de comunicação de Porto Alegre, como Zero Hora, TV Guaíba, rádio e TV Pampa, Correio do Povo e TVE. Fui sócia da Pauta Assessoria, por 20 anos, onde trabalhei com divulgação, produção, redação e coordenei a assessoria de imprensa de várias edições do Festival de Cinema de Gramado e da Feira do Livro de Porto Alegre. Atualmente, integro a equipe da Gira Produção e Conteúdo, que reúne profissionais para criação, produção, revisão e finalização de artigos, ensaios e livros, além de assessoria e planejamento de comunicação.

5 comentários em “Diferença, educação inclusiva, segurança e o fazer político – Busco respostas!”

  1. Excelente reflexão… reflete esperança… esperança sobretudo no homem político, o homem (ser humano) que deveria trabalhar para o bem social em todas as suas dimensões… está correto… mas eu não creio mais neles…

  2. Esse artigo é uma profunda reflexão sobre o que não se faz e contém uma proposta corajosa de mudanças. Mimha dúvida é saber o que do outro cabe em mim de ele mesmo está preso às convenções que o acorrentam. Claro, o papel do Público precisa ser modificado. Na mimha vidão, ao invés de mudança, o melhor seria Transformação, na melhor acepção dessa palavra.

  3. Acabei de assistir a entrevista com Olivia, na Globo News!!!
    Foi Maravilhosa… Olivia, Você é um anjo que veio nos ensinar a voar!!!!!
    Obrigada! Bjs! E Você Leilei, com certeza, foi as ¨próprias asas¨ que me possibilitaram chegar até aqui!!!! Bjs

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