A necessária busca pela inclusão – “Sons pra Bella”

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O humor, às vezes, é tão sem graça

Sábado à tarde. Saio de casa pela Marquês do Pombal em direção à Quintino Bocaiúva. No estacionamento, ao lado da Panvel, quase na esquina das ruas, acontece um evento estilo Food Truck. Ao me aproximar, vejo uma pessoa usando pernas de pau enormes, na calçada, tentando animar quem chegava. Lá do alto, o personagem cola os olhos em mim. Acostumada com a piada óbvia, deduzi o que ele ia dizer: “Olhem, olhem, a minha noiva está chegando!”, gritou. Os poucos que estavam nas barracas mais próximas riram. Com o humor curto, mas elegante, respondi: “Não sou tua noiva, nem na brincadeira”. Os risos continuaram. Segui. Ele disse mais alguma coisa. Não ouvi. O humor, às vezes, é muito sem graça.

"Invasão", por Tamar Matsafi

“Invasão”, por Tamar Matsafi

Somam-se a essa vontade de fazer rir a qualquer custo outras piadinhas banais que ouço quase que cotidianamente. “Mulher chaveiro”. Mulher de bolso”. “Esqueceu de crescer”. “Sai do chão, criatura”. Nessa precariedade lamentável em que se transformou o Brasil, sinto que o preconceito recrudesceu. Ou ando muito sensível aos olhares e palavras que invadem minha privacidade. Mas, em meio a esses ruídos perturbadores, o vídeo de uma campanha com o objetivo de arrecadar dinheiro para uma menina que precisa de um novo aparelho auditivo restaurou minha emoção, minha esperança, minha força.

Nossa busca pela inclusão não pode cessar – Bella precisa ouvir novamente

Bella, arquivo pessoal

Bella, arquivo pessoal

A história de Isabella é contada pela mãe, a professora Tamires Roos, no vídeo https://www.youtube.com/watch?v=3P60m47FaQs&feature=youtu.be. A coragem para assumir publicamente que a família não tem condições financeiras se impôs quando ela e o pai sentiram a filha mais triste, retraída, solitária.

Isabella nasceu linda, saudável e tranquila. Aos quatro meses, a família percebeu que algo de estranho acontecia. Os choros eram intensos e já não se acalmava ouvindo a voz da mãe. Depois de muitos testes e análises indicando que tudo estava normal, o médico recomendou exames auditivos. Aí se revelou o problema. Diagnóstico: Surdez severa profunda. Aos dois anos, Isabella fez um implante coclear (instalação de eletrodos na cabeça). A cirurgia foi um sucesso. A menina começou a ouvir, falar, brincar e conviver com outras crianças, feliz.

Como a garantia do aparelho externo do ouvido não é vitalícia, sempre é necessário algum ajuste. A família, que não mede esforços para garantir uma vida saudável para Isabella, agora enfrenta dificuldades. O aparelho estragou definitivamente. A menina, hoje com 9 anos, necessita de um novo Nucleus 6, que custa R$ 39.600,00, mesmo sendo paciente do Sistema Único de Saúde/SUS. O governo não fornece o dispositivo espontaneamente. É preciso entrar com uma ação que pode demorar meses ou até anos. Os pais não têm condições financeiras e lutam para devolver os sons à vida de Isabella. A falta de audição já interfere no seu desenvolvimento, na aprendizagem, na comunicação, no emocional.

Vejam o vídeo, compartilhem, contribuam. As doações podem ser feitas no Banrisul, agência 0070, conta poupança 39.0929.360-6, em nome de Tamires Ross dos Santos – CPF 024.594.120-70.

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