“Laerte-se” e vá além, sem medo do avesso de todos nós

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No dia 22 de abril foi lançado em São Paulo, no Reserva Cultural, o documentário “Laerte-se”, direção de Eliane Brum e de Lygia Barbosa da Silva, que também assinam o roteiro em parceria com Raphael Scire. A montagem é de Nani Garcia. A produção tem a assinatura de Lygia e Raphael. A realização é da Tru3Lab para a Netflix e a partir do dia 19 de maio estará disponível na Netflix para 190 países.

O filme revela um pouco mais dessa criatura libertária, ousada e inquietante chamada Laerte Coutinho, cartunista e chargista. Suas buscas, o feminino e tantas questões que dizem respeito à mulher que se insurgiu nessa caminhada, quando, aos 57 anos, Laerte assumiu sua transexualidade e passou a viver uma experiência inusitada.

Laerte - foto divulgação documentário

Laerte – foto divulgação documentário

Para Eliane, que conduz a entrevista no filme, o momento de mostrar para o mundo algo que se cria, neste caso uma criação coletiva, é, “ao mesmo tempo tão alegre, ao mesmo tempo tão frágil, ao mesmo tempo tão trêmulo.” E ela tem toda a razão! E esse momento que vem através da arte é singular, denso e tenso na sua amplitude. É revelador do avesso do avesso do avesso de todos nós.

Laerte Coutinho é tão surpreendente na sua busca que até virou verbo – Laertar-se

A sinopse do filme diz que “Laertar-se ao mesmo tempo que impele ao movimento, como um imperativo de vida, se volta para si, numa interrogação persistente. Mas aquela que retorna não é o mesmo que foi. E isso a cada volta. Ao acompanhar Laerte Coutinho em seu percurso de investigações sobre o que é ser uma mulher, o documentário também se faz ponto de interrogação. Ou apenas espaço de possíveis”.

No documentário, “Laerte conjuga um corpo no feminino, esquadrinha conceitos e preconceitos. Não busca identidade. O que conjura são desidentidades. Laerte é filho e filha, é vó e vô. É também pai, de três filhos, órfão de um. É ainda quem leva a filha ao altar como pai e como mulher. E quem, mesmo sem útero, gesta. Envia suas criaturas para confrontar a realidade na ficção dos quadrinhos como uma vanguarda de si. E, nas ruas, ficciona-se como personagem real”.

“Laerte, pessoa de todos os corpos e de nenhum, embaralha qualquer binarismo. Ao indagar sobre Laerte, este documentário escolhe vestir a nudez, aquela que vai além da pele que se habita”.

Depois do lançamento, a agenda que vem pela frente é motivo de alegria para Eliane “porque os documentários têm pouco ou nenhum espaço nos cinemas brasileiros”. Os dois documentários anteriores dela, “Uma História Severina” e “Gretchen Filme Estrada”, percorreram o mundo, mas muito pouco frequentaram as telas de cinema no Brasil. “E a gente faz um filme para que ele possa ser visto e debatido, para que ele produza algum movimento interno nas pessoas. Para que ele tenha sua própria aventura no mundo”.

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