Raízes, memória, história

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O processo cultural que nos faz pertencer, criar identidade e voar

O projeto “Memórias de São Francisco de Paula” chega para estimular a comunidade a se apropriar da sua história, trocar experiências e promover a difusão do patrimônio que nos dá raízes. Valorizar espaços que mostram a diversidade que nos constitui é valorizar a pluralidade, a convivência e o diálogo permanente e crítico entre a tradição e o contemporâneo. É entender o processo cultural que nos faz pertencer e criar identidade e, ao mesmo tempo, nos dá asas para voar. Colocar no centro da cena os saberes e fazeres gerados pela cultura patrimonial material e imaterial, para que infinitos olhares possam ver e aprender, é o combustível que impulsiona o conhecimento e abre fronteiras para uma educação libertária.

Com essa perspectiva – a ampliação do olhar – o projeto do município serrano vai promover rodas de memória em três dos principais patrimônios culturais de São Francisco de Paula, momento em que as pessoas vão falar das suas emoções e vivências na interação com esses lugares. Tudo começa no dia 14 de março, em uma velha e imponente casa de madeira com mais de 70 anos – o Hotel do Campo, no distrito de Cazuza Ferreira. No dia 18 de abril, a roda será no Hotel Cavalinho Branco, no Lago São Bernardo e, em 30 de maio, no auditório da Escola Estadual José de Alencar, em São Francisco de Paula. É a história contada por quem viveu e vive a riqueza cultural de cada lugar.

As rodas de memória serão registradas em vídeo e áudio e, posteriormente, em livro. O objetivo é possibilitar que um número muito maior de pessoas e de escolas possam acompanhar o andamento do projeto e transformá-lo em conteúdo para os alunos na sala de aula. São momentos para escutar, participar, entender e expandir.

Integrado à imensidão dos campos, ao verde das matas e à imponência das araucárias, “o ouro branco” do passado, São Francisco de Paula, ou São Chico como a cidade é carinhosamente chamada, está mergulhada em uma natureza exuberante que possibilita paz, recolhimento, reflexão. Ou bons encontros e boas conversas ao sabor do churrasco e do carreteiro. Além de longas caminhadas em volta do lago ou mato à dentro para desvendar as inúmeras cachoeiras da região. Ou, ainda, se aventurar em cavalgadas campo afora.

Para a Roda de Memória em Cazuza Ferreira no dia 14 de março, sábado, às 15h, foram convidadas quatro pessoas que vão dividir com o público experiências, estudos e relações afetivas com o local. A mediação será da professora de História e doutoranda Cláudia Duarte. São elas:

Grasiela Picoloto de Barros, formada pela Universidade de Caxias do Sul, onde apresentou como trabalho final o texto “As Metamorfoses do Hotel Avenida”, em dezembro de 2001, para graduar-se em Licenciatura Plena em História.

Iró Beatriz Basso Gomes, filha mais velha de Antonio Machado Basso (dono do hotel e cinema), trabalhadora dos Correios e Telégrafos, que sempre viveu em Cazuza Ferreira, ajudando o pai nas atividades do cinema.

Elmo Rossi, amigo próximo de Antonio Machado Basso, um frequentador assíduo das sessões de cinema do Serrano.

Batista Bossle, autor dos livros Dicionário do Cavalo, Dicionário Gaúcho Brasileiro e Cazuza Ferreira tem História para Contar. Mantém o site www.gauchadas.com.br e o blog www.familiabossle.blogspot.com.br

Autor: Lelei Teixeira

Sou jornalista e já atuei em diversas empresas de comunicação de Porto Alegre, como Zero Hora, TV Guaíba, rádio e TV Pampa, Correio do Povo e TVE. Fui sócia da Pauta Assessoria, por 20 anos, onde trabalhei com divulgação, produção, redação e coordenei a assessoria de imprensa de várias edições do Festival de Cinema de Gramado e da Feira do Livro de Porto Alegre. Atualmente, integro a equipe da Gira Produção e Conteúdo, que reúne profissionais para criação, produção, revisão e finalização de artigos, ensaios e livros, além de assessoria e planejamento de comunicação.

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