Chamando o sol

araucaria
Fotos de José Walter de Castro Alves

Assim como as estações do ano, a chuva e o sol são essenciais para o equilíbrio da natureza e da humanidade. Neste inverno atípico, tão obscuro como tudo o que anda acontecendo no mundo, a ausência da luz solar interfere diretamente no cotidiano, no humor e no comportamento das pessoas.

O sol ilumina. Espalha luz e brilho. Aquece o corpo e a alma. Tira o mofo da casa interna e da casa externa. Acaricia. Nos tira das alcovas. Chama para a rua, para as praças, para as caminhadas, para os encontros, o convívio ao ar livre, as bergamotas saboreadas no pátio.

Diante do que estamos vivendo, da insanidade sem medidas e do poder que exala autoritarismo, toma conta de mim o medo de que esses governos desgovernados, que assaltaram o país, sem o mínimo pudor, queiram privatizar essa delícia que a natureza oferece com tanta delicadeza. Com requintes de barbarismo, a privatização mira suas garras na água, um dos maiores bens públicos. E já destruíram tantas esperanças, que tudo é possível. As criaturas que detêm o poder são soberbas e, ao mesmo tempo, rasas, mínimas, medíocres que podem até pensar, não duvido, em encontrar na privatização do sol uma solução maquiavélica: uma forma de fazer a população pagar caro pelos raios abençoados que chegam sem pedir licença. Invadem nossas janelas democraticamente, sem perguntar a condição social.

Com o sol, o coração apertado se alarga. Com o sol, os olhares se espraiam no céu azul. Com o sol, os raios multicoloridos invadem a terra e impulsionam a vida. Com o sol, as boas energias se acendem.

Vem sol! Fica sol!

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