O fazer político – busco respostas!

É tão bom quando a gente encontra eco na fala do outro e se vê fazendo parte de uma tribo com desejos comuns – democracia e direitos humanos, sob o signo da diversidade. É o que eu gostaria de viver na aldeia que habito. E vivi no dia 29 de setembro, momento que vai para a história mundial, liderado pelas mulheres. Um eco sinalizando mudanças, transformando pessoas e o modo de fazer política.

Mas hoje vivo sob o signo da incerteza e do medo em relação ao futuro da minha cidade, do meu estado e do meu país, em relação ao ir e vir cotidiano de pessoas que ousam pensar diferente. Especialmente neste momento em que o ódio e o repúdio à diversidade tomam conta dos discursos de quem vai governar o país.

O que os candidatos que entraram na reta final das campanhas políticas óbvias, com discursos ultrapassados e cheios de clichês, disseram concretamente sobre diversidade? Sobre uma educação inclusiva, capaz de acolher todas as diferenças, físicas, mentais, intelectuais, comportamentais e sociais? Sobre as crianças e jovens abandonados? Sobre a marginalidade, o preconceito e a criminalidade, que só aumentam? Sobre esse momento delicado que enfrentamos no Brasil?

Temos instituições, empresas, associações de bairros, comunidades organizadas e comunidades inteiras à deriva, enclausuradas, ameaçadas, jogadas às traças. E temos um Executivo, um Judiciário e um Legislativo, muito bem pagos, envolvidos em denúncias de corrupção, sem respostas para nossos anseios e sofrimentos, que só fazem defender-se usando a força que detêm.

Enquanto isso, os podres poderes se agigantam e ferem, inexoravelmente, a ética, os sonhos e a confiança de cada um de nós.  Egos inflados e ocos mergulham nas picuinhas político-partidárias e a mesquinharia domina os debates. Ou os embates!

O que sempre me inquietou, e hoje me inquieta ainda mais, é a dificuldade que os políticos de plantão e os postulantes a qualquer cargo (porque infelizmente é um cargo!), de vereador a presidente, têm de conversar e agir em nome de uma causa maior, que envolva a vida, o bem estar e os direitos dos cidadãos.

Quem está no poder, pelo partido X, e perde as eleições para o partido Y, transforma-se em vilão, enquanto o vencedor assume com sua vara mágica de solução para qualquer problema. Um e outro só conseguem cumprir os encontros protocolares de passagem do cetro. O resto são farpas! Estabelecem uma relação de mão única, primária, e subestimam os eleitores, o que é inadmissível em um século tecnológico, de comunicação avassaladora, onde tudo se vê e tudo se sabe.

Aquele que assume, com o bolso cheio de soluções, não dá conta do que prometeu, mas não se responsabiliza. A culpa é sempre do outro. E a ladainha segue até o final do mandato. A cena se repete de quatro em quatro anos, de partido para partido, de candidato para candidato e, assim, indefinidamente. Muito poucos abrem mão da possibilidade de se candidatar várias vezes ou dos cargos já conquistados. Por quê?

Apesar dos discursos queixosos, que apontam para o caos, querem o poder. Alguma grande vantagem certamente todos têm!

É impossível que uns só acertem e outros só errem e que um governo, por mais equivocado e ruim, não contabilize nenhum acerto. Por que não reconhecer os méritos? Por que não dar continuidade às ações que tiveram bons resultados na administração anterior? Por que não somar? Por que essa voracidade em destruir o outro e o que ele fez? Por que só governar com e para os seus? Por que não uma coalizão ética?

Por que ninguém tem coragem de mudar, de fazer diferente, de romper com as velhas formas corruptas? Por que a maioria que se candidata não sabe exatamente a que veio? Por que são tão poucos hoje os líderes que surgem da militância estudantil, social e política? Por que inventar candidatos, buscando comunicadores populares que dominam os microfones, mas nada entendem do fazer político e da questão social? O que realmente mobiliza partidos, candidatos, eleitores e políticos?

Não tenho respostas, mas lamentavelmente tenho algumas certezas: São bem poucos os que têm ideais humanistas e pensam no bem comum ao assumir uma candidatura ou qualquer cargo político.