A busca pelas margens que ampliam o olhar

Muitas palavras me movem. E algumas, como diversidade e inclusão, pedem olhares mais livres. Não viciados, não domesticados ou menos contaminados. Olhares compridos que conseguem se encantar com a poesia “cheia de desperdícios” de Manoel de Barros, sem saber a razão.

“Dou respeito às coisas desimportantes / e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade / das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.”
(O apanhador de desperdícios, do livro Memórias Inventadas – A Infância).

Vivo buscando esse olhar em poemas, pequenas frases, textos e ações para que a vida cotidiana seja mais fácil, democrática e plural. E para me encher de leveza e esperança.

– *A resposta enfática que a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie deu ao jornalista R. Emmet Tyrell, editor-chefe da revista ‘American Spectator’, no programa BBC Newsnight, foi reconfortante. Ele negava que Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, fosse racista, tentando minimizar a crítica da escritora. “Me desculpe, mas se você é um homem branco, você não pode definir o que é racismo”. “Isso não é sobre a sua opinião, o racismo é objetivamente real e Donald Trump tem reforçado essa realidade”, afirmou a autora de “Americanah” e “Sejamos Todos Feministas”. (Fonte: Carta Capital, por Ingrid Matuoka, em 15/11/2016).

"Racismo não", por Tamar Matsafi

“Racismo não”, por Tamar Matsafi

Sabemos que uma família homofóbica e preconceituosa pode tornar insustentável a relação com o filho/filha diferente, assim como uma sociedade intolerante pode fazer o mesmo. Muitos jovens, que lutam pela sua verdade e identidade, são estigmatizados. E, muitas vezes, pela opção sexual, nega-se a eles uma vida digna. São punidos por todos os lados, emocionalmente, socialmente e economicamente. “De 20 a 30% dos jovens em situação de rua no mundo são LGBT, essa é uma taxa superior à de LGBTs na sociedade”, afirma o coordenador do Departamento de Ciências Humanas e Educação da UFSCAR/Universidade Federal de São Carlos, São Paulo.

– *Por isso, a exposição Uma cidade pelas margens, que abre no dia 18 de novembro, 19h, no Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo, é muito bem vinda. Ao trazer o tema LGBTT para um espaço cultural público, os organizadores estimulam a inclusão e fazem uma ponte com a 20ª Parada Livre, que aconteceu recentemente, no dia 13 de novembro, aqui em Porto Alegre. O projeto, que coloca em evidência a trajetória de pessoas e organizações que lutaram pela visibilidade e pelo direito à diversidade na capital gaúcha, é resultado da parceria do Museu com o Nuances – Grupo pela livre expressão sexual; Liga Brasileira de Lésbicas do Rio Grande do Sul (LBL- RS); Curso de Graduação em Museologia, do Laboratório de Políticas Públicas Ações Coletivas e Saúde (LAPPACS) e com o Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIST), todos vinculados à Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

"Pela diversidade", por Tamar Matsafi

“Pela diversidade”, por Tamar Matsafi

A mostra fica em cartaz até o dia 30 de dezembro e divide-se em dois eixos. A cartografia da cidade, sob a perspectiva LGBTT – sigla para gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, que identifica espaços de sociabilidade fundamentais para a construção dessa narrativa. E o destaque para a luta, a resistência, a conquista de direitos e os avanços nas questões jurídicas. A iniciativa prevê ainda duas mesas redondas e um Piquenique Cultural temático.

– *Piquenique inclusivo e lançamento do calendário Cada Mês um Mundo do Instituto Autismo & Vida/IA&V, dia 19 de novembro, das 15h às 19h, no Parque Getúlio Vargas/Capão do Corvo, em Canoas, soma-se às ações que acolhem, conscientizam e trazem esperança. A tarde promete ser animada, com muitas brincadeiras inclusivas.

O objetivo do calendário é valorizar as pessoas com autismo e suas famílias, que sofrem muito desgaste pelo seu comportamento diferente e pelas suas limitações, dando forma e cor a crianças que também sonham, têm planos, amigos, amores e dores. A partir de situações do cotidiano, convivendo e brincando com irmãos e irmãs, jogando bola, criou-se um mosaico de tipos físicos, condição social e familiar, para mostrar que o autismo está em todas as classes sociais, raças, credos e ideologias, e que há muita vida e amor em cada história.

O calendário traz 12 fotos de crianças sendo crianças, feitas pela fotógrafa Paloma Fantini, mãe de uma menina com autismo. Na contracapa, fotos de outras crianças e adolescentes, enviadas pelos pais. O valor arrecadado com a venda será revertido ao Instituto Autismo & Vida e utilizado em outras ações de conscientização sobre o autismo. O projeto foi idealizado por Diego Ambrózio e Samantha Konorath, assessorado e produzido pela TD8 Design e Comunicação e realizado pelo IA&V. (Fonte: http://www.autismoevida.org.br/).