A cidade que habitamos

Acabou o carnaval. As férias estão terminando. O cotidiano volta a pulsar intensamente. E 2018 chega na precária capital gaúcha.

“A cidade é para quem vive nela ou para quem vive dela?” Esta pergunta do ator e diretor Amir Haddad, do grupo teatral Tá na Rua, precisa ser ouvida e pensada na dimensão da sua pertinência.

Durante a campanha eleitoral para prefeito e vereadores, ensaiei aqui neste espaço uma conversa sobre a cidade, suas condições, possibilidades, futuro. Ingenuamente, alimentava a esperança de contribuir para que os eleitos, ao assumir a grande responsabilidade de administrar um município, dando voz aos cidadãos que nele vivem, fizessem a diferença. O que me movia nessa romântica tentativa era o desejo de participar. Pensava em uma troca permanente para melhorar o espaço urbano. Pensava em uma cidade mais inclusiva, leve, acessível, saudável, segura, generosa, limpa, bonita.

Hoje, ao andar por Porto Alegre, a esperança foge. Dói perceber o descaso de quem governa e o abandono da cidade que habitamos. Por isso, publico novamente o recado que escrevi na época inspirada no poema “O Mapa” de Mario Quintana, o escritor das nossas ruas e esquinas.

Olhe o mapa da cidade como se examinasse a anatomia de um corpo.

Do seu corpo.

Dos corpos de milhares de indivíduos que cruzam as ruas cotidianamente.

Trabalhadores. Estudantes. Aposentados. Desempregados. Jovens. Crianças. Loucos.

Lindos, elegantes, saudáveis, alegres, confiantes.

Curvados, dilacerados, abandonados, desesperados, desencantados.

De todos os tipos. De todas as raças. De todas as cores. De todas as crenças.

De toda a forma e qualidade.

Anônimos? Não! Seres humanos.

Examine esse mapa com atenção, desprendimento, carinho, generosidade.

Que anatomia é essa? Que tecido a envolve?

Que sonhos, esperanças, pesadelos e doenças estão impregnados na pele desse corpo urbano?

Procure entender como tratar esse corpo que pulsa incessante por uma vida digna.

“Há tanta esquina esquisita”, diz o poeta.

“Tanta nuança de paredes”.

Tantas buscas, desejos, dores, alegrias, desistências, conquistas, fracassos.

Há tanta miséria, tanta violência, tanta opulência, tanto desperdício na cidade de longos e muitos já cansados andares.

Há beleza, justiça, bondade, vontade de acertar.

Mas há tanta injustiça, tanta precariedade, tanto abuso de poder, tanto descaso.

São muitas as vozes sufocadas na cidade onde construímos nossas vidas.

A cidade que escolhemos? Ou a cidade que nos restou?

São muitas e vitais as questões nessa concretude urbana.

O corpo dessa cidade precisa de quê? E os corpos que por ela andam?

A cidade e seu corpo – Por mais acessibilidade e inclusão

Em tempo de eleições municipais, abrimos aqui uma conversa sobre Porto Alegre, suas condições atuais, suas possibilidades e o futuro que ousamos sonhar. O que nos move é o desejo de viver em uma cidade mais inclusiva, leve, acessível, saudável, generosa e bonita.

Queremos participar desse momento com algumas ideias sobre o espaço urbano, contribuindo de alguma maneira para que os possíveis candidatos a prefeito e vereador façam a diferença necessária ao assumir essa grande responsabilidade que é administrar um município e dar voz aos cidadãos que nele habitam.

A inspiração para iniciar essa conversa vem do poema “O Mapa”, de Mario Quintana, o escritor das nossas ruas e esquinas.

Mapa de Porto AlegreokOlhe o mapa da cidade como se examinasse a anatomia de um corpo.
Do seu corpo.
Dos corpos de milhares de indivíduos que cruzam as ruas cotidianamente.
Trabalhadores. Estudantes. Aposentados. Desempregados. Jovens. Crianças.
Lindos, elegantes, saudáveis, alegres, confiantes.
Curvados, dilacerados, abandonados, desesperados, desencantados.
De todos os tipos. De todas as raças. De todas as cores. De todas as crenças.
De toda a forma e qualidade.
Anônimos? Não! Seres humanos.

Examine esse mapa com atenção, desprendimento, carinho, generosidade.
Que anatomia é essa? Que tecido a envolve?
Que sonhos, esperanças, pesadelos e doenças estão impregnados na pele desse corpo urbano?
Procure entender como tratar esse corpo que pulsa incessante por uma vida digna.

“Há tanta esquina esquisita”, diz o poeta.
“Tanta nuança de paredes”.
Tantas buscas, desejos, dores, alegrias, desistências, conquistas.
Há tanta miséria, tanta violência, tanta opulência, tanto desperdício na cidade de longos e muitos já cansados andares.
Há beleza, justiça, bondade, vontade de acertar.
Mas há tanta injustiça, tanta precariedade, tanto abuso de poder, tanto descaso.
São muitas as vozes sufocadas na cidade onde construímos nossas vidas.
A cidade que escolhemos? Ou a cidade que nos restou?
São muitas e vitais as questões nessa concretude urbana.

“A cidade é para quem vive NELA ou para quem vive DELA?”
Essa é uma pergunta do ator e diretor Amir Haddad, do grupo teatral Tá na Rua, pergunta que precisa ser ouvida e pensada na dimensão da sua importância.

O corpo dessa cidade precisa de quê? E os corpos que por ela andam?

Que essa seja uma conversa permanente, intensa e de trocas úteis para a anatomia do nosso corpo urbano!