Presente de Natal!

Nesta semana, que termina na confraternização de Natal, os trabalhadores gaúchos da comunicação pública, da cultura, das ciências, da pesquisa, da educação e do planejamento de vários setores de inteligência do Estado (inteligência, o que é isso?) ganharam do governador, e da sua servil base aliada, a aprovação de um pacote cruel. Muito bem embalado pelo autoritarismo mais vil, o pacote fecha portas, gera o desemprego de milhares de pessoas, o fim de projetos importantes e de muitos sonhos. Além de não aprofundar a discussão sobre a proposta, o governo sonegou informações e tratou os profissionais que protestaram com violência desmedida.
Para quem, como eu, luta desde sempre por liberdade de expressão, igualdade de direitos, cidadania, acessibilidade, inclusão, emprego e salário dignos, foi uma afronta difícil de dimensionar. “Qualquer pessoa com o mínimo de bom senso percebe que, quando os direitos são brutalmente suprimidos e os canais democráticos de reivindicação são bloqueados, o único caminho que sobra para os desesperados é o mais violento”. Palavras do jornalista e poeta Eduardo Sterzi. E assim foi!
Restou uma grande tristeza, o medo do que virá e uma sensação terrível de descrédito e de impotência. E muitas perguntas!

Que seres humanos são esses que habitam a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul?
O que querem?
Por que não ouvem?
Por que não conseguem dialogar com a população?
Por que fecham as portas da casa?

"Obstáculos", por Tamar Matsafi

“Obstáculos”, por Tamar Matsafi

A maioria desses senhores não sabia exatamente o que estava aprovando na madrugada da última quarta-feira, 21 de dezembro. E essa ignorância ficou clara nos discursos vazios e ofensivos, em nome de um “ajuste” que nem sabiam o que era. Votavam como marionetes, para cumprir conchavos e negociatas pessoais e de seus partidos. E, claro, para garantir as benesses no final de cada mês, sem parcelamento e com muitos penduricalhos. Alguns até pareciam constrangidos, mas foram incapazes de uma atitude corajosa.
Esse é o parlamento gaúcho hoje, medíocre e ineficaz, espelho do que acontece país afora.

Enfim, conseguiram!
O projeto 246/16, que extingue seis fundações estaduais – Zoobotânica (FZB), Piratini (TVE e FM Cultura), Ciência e Tecnologia (Cientec), Economia e Estatística (FEE), Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH) e Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan) – saiu vitorioso, 30 votos a favor e 23 contra.
Vitórias como esta deixam claro que no Brasil pós-golpe não é o bem estar social da população que interessa. O que importa é dar guarida a políticos corruptos, preservar benefícios de qualquer natureza, manter acima da lei o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, proteger o empresariado que mantém regalias em troca de favores, assegurar o lucro ofensivo dos bancos e os parcos salários dos trabalhadores. A cada dia, menos.
Uma mediocridade assustadora, recheada de raiva, vingança e entreguismo, acompanha cada passo de políticos sem escrúpulos que querem nos tirar a identidade, a memória, a história, a alegria. Mais uma vez, a poesia traduz o mal estar que sinto e me salva do que é mesquinho.

“Da vez primeira que me assassinaram, / perdi um jeito de sorrir que eu tinha. / Depois, a cada vez que me mataram, / Foram levando qualquer coisa minha” – Mario Quintana.

Resistiremos!

"Desistir jamais", por Tamar Matsafi

“Desistir jamais”, por Tamar Matsafi

Fundamental, agora, é saber e não esquecer como cada deputado votou nesse pacote indigesto. A sugestão é imprimir a lista e colocar onde os olhos sempre alcançam.
Adão Villaverde (PT) – Não
Altemir Tortelli (PT) – Não
Edegar Pretto (PT) – Não
Jeferson Fernandes (PT) – Não
Luiz Fernando Mainardi (PT) – Não
Miriam Marroni (PT) – Não
Nelsinho Metalúrgico (PT) – Não
Stela Farias (PT) – Não
Tarcisio Zimmermann (PT) – Não
Valdeci Oliveira (PT) – Não
Zé Nunes (PT) – Não
Álvaro Boessio (PMDB) – Sim
Edson Brum (PMDB) – Sim
Gabriel Souza (PMDB) – Sim
Gilberto Capoani (PMDB) – Sim
Ibsen Pinheiro (PMDB) – Sim
Juvir Costella (PMDB) – Sim
Tiago Simon (PMDB) – Sim
Vilmar Zanchin (PMDB) – Sim
Adolfo Brito (PP) – Sim
Frederico Antunes (PP) – Sim
Gerson Borba (PP) – Sim
João Fischer (PP) – Sim
Marcel van Hattem (PP) – Sim
Sérgio Turra (PP) – Sim
Ciro Simoni (PDT) – Não
Eduardo Loureiro (PDT) – Não
Enio Bacci (PDT) – Não
Gilmar Sossella (PDT) – Sim
Juliana Brizola (PDT) – Não
Marlon Santos (PDT) – Não
Vinicius Ribeiro (PDT) – Sim
Aloísio Classmann (PTB) – Sim
Luís Augusto Lara (PTB) – Não
Marcelo Moraes (PTB) – Sim
Maurício Dziedricki (PTB) – Sim
Ronaldo Santini (PTB) – Não
Adilson Troca (PSDB) – Sim
Jorge Pozzobom (PSDB) – Sim
Pedro Pereira (PSDB) – Sim
Zilá Breitenbach (PSDB) – Sim
Elton Weber (PSB) – Sim
Liziane Bayer (PSB) – Sim
Miki Breier (PSB) – Sim
Any Ortiz (PPS) – Sim
Juliano Roso (PCdoB) – Não
Manuela d`Ávila (PCdoB) – Não
Sérgio Peres (PRB) – Sim
João Reinelli (PV) – Sim
Missionário Volnei (PR) – Sim
Pedro Ruas (PSOL) – Não
Bombeiro Bianchini (PPL) – Não
Regina Becker Fortunati (REDE) – Não